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O mundo é separado em dois grupos: o dos que criam mais problemas atrás de dinheiro suficiente pra esquecê-los e o dos que têm dinheiro suficiente pra fingir que não possuem problemas.

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sobre chuvas que não vão embora mesmo em dias de sol e a única virtude que encontrei em mim pra acabar com as nuvens

Fui eu que te pedi, eu sei.

É melhor — pra ti, pra mim, pra nós e, principalmente, pra que a felicidade seja ordinária.

Mas… sempre tem o “mas”.

Me dói — e só dói em mim porque dói em ti. Dói em nós. Descarta a felicidade dos nossos dias ordinariamente errados.

Me dóis mais do que se pode imaginar — eu amo. Te amo. E amo a abertura tão rápida e surpreendentemente natural dos teus anseios, raivas e, principalmente (novamente), chateações.

Isso me faz ser melhor — isso me faz querer ser melhor. Mais do que hoje já quero. Isso me faz melhor. Isso me faz melhor contigo. Isso me faz melhor comigo. Melhor com nós.

Nós? A sós? Nunca — que não haja pós pra que não precise terminar: coisa que agora, definitivamente, eu não quero nem cogitar.

Quero cada vez mais amar — como te amo cada dia mais. Em paz. Sem caber em mim, sem modificar. Sem pensar em fim, fazer do outro um lar.

Lar — nosso. Nossa (.) casa, nossos filhos tão felinos que criança alguma poderia substituir. Nossos medos e planos tão mundanos que crença alguma conseguiria interferir… esse abrir.

Abre. Abre teu coração. Aceita (como sempre aceitou) esse amor tão amor que não mata a paixão. Tua mais nova liberdade de falar o que te chateia mantém vivo o assombro que em minha cabeça permeia: eu sempre soube que errava e a ninguém ousei negar, mas o que me incomoda e assusta em tanto desimpedimento pra falar é tomar conhecimento da intensidade, quantidade e, mesmo sem intenção, maldade de tudo que eu costumo errar. Me sinto sem ar. Tempestade no mar. Como lidar?

Lidar? — com tudo, com todos, com o real e o abstrato. Sentido agudo: tato. Olfato? Não. Descarrilhei. Tombei. Não sei (sei?). “Bei”. Que bom que te encontrei – lá sem ar, mas o ar que há no ar (por onde percorre teu perfume). Hoje sem ar, mas o ar do lugar, de respirar. Como abraçar. Abraçar sem medo a morte que, não satisfeita em me levar, preferiu me sufocar. É físico,” quase quântico”, diria um outro amigo mais perdido que eu.
Mais perdido? Só eu. Uma hora o ar volta. “E ele?”, perguntaram. “Ah, ele? Se perdeu.”.

E, perdido, eu vou — o bom de se perder é se encontrar em algum lugar. Às vezes com destino, às vezes sem radar. Às vezes um menino, às vezes um pomar. Quase nunca no chão, mas sempre ferido. E ninguém vê, ninguém sabe. Eu não deixo, não mexo com ninguém porque isso não me convém. Me distrai. Será que tem?
Não tem. Hoje não

Mas de vez em quando sim — eu enxergo isso decretar o nosso fim. Mas confia em mim, não é bem assim. Aliás, deixa pra mim. Enfim, confia na Kim, pois pra ela tudo é possible.

Acho que não tem mais como negar, eu tô mais alto que aqueles prédios da Arábia Saudita vistos do seu último andar — temo não conseguir andar, pois ando até fazendo piadas com desenhos de tevê que não são nem tão novos pra geração 2010 conhecer e nem tão velhos a ponto da geração 1980 lembrar. Eu entrei nesse teto (quase de forma literal). Não sei de nada, muito menos como sair. Mal consigo digerir (o que eu sinto e penso, repenso e é intenso, quase um auto-conhecimento imenso a luz de velas e cheiro de incenso — penso e repenso), imagina dirigir?

Dirigir? Carro o cacete! (com perdão da palavra, mas nada mais escalavra esse sentimento do momento que esse pensamento tomou conta de mim) — mal consigo dirigir meu caminho, como alguém pode querer que eu dirija o filme das nossas vidas ou o carro em que as nossas almas viajam, seja lá por drogas ou por amor (cabe aqui a licença de quem vos fala pra pensar que os dois são a mesma coisa – ou não, como queira – mas queira, por favor).

E por falar em favor, por favor, não me entenda mal se por acaso ou por amor eu te fizer chorar. Nada por querer, nada por prazer, muito menos por má intenção. Às vezes por ser menino, pela ilusão de ser fino ou pelo falso poder na mão. Me sinto em recuperação. Aprendendo e amando cada dia com mais paixão. Novamente, porque sei que por mais contente que meu peito e minha mente tentem, não me canso de gritar aos quatro ventos o quanto tudo agora é diferente. Eu vejo cem por cento (%%%10o%%%) da gente cada vez que me pego ao teu lado mais uma vez sendo 2 em apenas 1. BUM.
Entendi. Me faço em sorriso, eu sei do que preciso: da tua mais nua e crua expressão. Pra que tu nunca mais se cale e sempre fale o que se passa no teu coração. Isso se chama ascensão – tua, minha, nossa. Quase uma nova aquisição. A troca que agora é mais justa do que a perfeição da janta da noite passada. Foi demais.
De mais? Não tinha nada. Só a família reunida, sentada, curiosamente bem humorada, talvez ali e aqui uma chorada (sabe como é a criançada, ainda mais se for irmã do autor desse texto que baba e se acaba toda vez que vê um sorriso dela), mas vivendo a irreconhecível paz que nada abala.

Nada abala. A bala. As balas. Quem sabe amanhã ou hoje à noite pra dançar, ou uma massagem, um filme e um chamego na sala de estar, no sofá, na cama ou na fama que janela  da sacada nos daria com os vizinhos, mas que se fodam eles todos e quem mais quiser incomodar, ainda temos o banheiro, a cozinha e o quarto onde ficam as roupas pra lavar. Temos a rua toda e a cidade inteira, todas as partes do mundo e todas as fronteiras. Entre nós e o universo não existem barreiras. Solidão é tão distante e inexistente que, mesmo se tentar pegar, ela escorre pelos dedos feito areia. Então acende aí! Ou melhor, incendeia!

Incendeia o mato e o quarto — isso me ajuda, porque às vezes é quase um parto, confesso que ando até meio farto, mas contigo eu consigo dormir.

DORMIR! — errei de novo. Maldita tempestade. Não vou mentir, vou partir (adormecer, dormir, sonhar ou deixar a mente abrir)! Nunca me sinto bem quanto ao sentir. Me sinto um tolo. Vacilo! De novo? Sim. Mas de quem? Adivinha… EU! Porra! De novo, meu!? Não vou negar, sou freguês. E justamente sobre o que tu falou mais de uma vez. Espero aprender, entender e não mais fazer.

Vish! De novo não vi o tempo passar. Ah, azar. É nessa hora que eu encontro segurança de que todo mal vai acabar: quando eu entro no quarto gelado – mas tão quente quando a gente transcende todas nossas certezas sobre amar – e te vejo tão bela e afundada em mais um sonho que tu vai fazer de tudo pra tornar realidade, como tu fez com todos os outros. E só de te ver assim e saber que em míseros segundos eu vou estar exatamente ao teu lado envolvido no teu abraço eu me despeço de tudo que não convém ao nosso amor e digo “tchau, radar. pra longe daqui com esse detector de falsas ameaças. aqui ninguém vai nos atingir. aqui, só aqui, só, a sós, a gente só conhece felicidade”.
Tchau, pensamento filosoficamente alucinado! Meu pensamento e minha vida agora pertencem ao amor personificado em pessoa que está ao meu lado.
Completo me vou, feliz — amando e sendo amado.
Amado

Amando

Amam

Ama

Amo

Amor.

a festa.

eu sumo do mapa que eu fiz

não crio raiz pra não ter que ficar

 

descaso aparente de quem

eu sei que não vem me ver delirar

 

no chão não me prendo jamais

é assim que se faz pra não machucar

 

mas lembro e me desespero

que o tombo é maior pra quem quer voar

 

mas se o medo fosse meu amigo

teria perigo em me derrubar

 

mas como medo nem conheço

logo me esqueço que vou desabar

 

dançar

ver passar cada traço do espaço em todo pedaço de sonho estelar

fritar

cada grão de desejo que vejo num beijo de um som familiar

 

e por fim esquecer

que não faço nada pra lembrar

o que lembro é por simples verdade

da felicidade de nunca acabar

 

a festa.

nova.mente.

Tenho pouco tempo. Fumo muito (e) depressa.

 

Mas pressa é pouco (perto) do que sinto. Sinto muito.

 

Muito pouco do que sinto é o que sinto quando te vejo pra disfarçar que teu beijo ainda corre em minhas memórias. Histórias, quase todas irrisórias quando penso na nossa.

 

Que linda bossa essa que deu no terceiro andar. Fez par com o nó que, só, fez a canção.

 

São? Não. Mas me perdoa não seguir o verso, me despeço, pois chegou a carona.

 

O que veio à tona pode não se repetir outra vez. Talvez uma, duas ou três, confesso.

 

Mas cesso. Já buzinaram aqui na frente. Hoje não está quente, mas poderia estar contigo.

 

Poderia ter um novo abrigo. Casa velha nova. Mente.

(in)certo

 

Eu jurei que não passaria daquela noite, mas aí eu ganhei o melhor presente de aniversário e simplesmente algo me encantou naquelas 12h que a gente conversou e descobriu que ali haviam duas vidas, e não só dois corpos.

 

E aquela vida que coexistiu comigo em um simples quarto durante uma noite me fez ter pretensão de conhecê-la mais, até que aos poucos eu (s̶e̶n̶t̶i̶ ̶q̶u̶e̶) me tornei parte dela.

 

Mas, meu bem, o meu passado não me deixa ser teu por inteiro porque agora eu sou meu, e só meu.

Desculpa se só posso dançar até essa música acabar, mas se passar de uma música eu vou me considerar teu par.

E eu sei que ser teu par é matar o que existe de pior em mim, o que seria muito bom se eu não tivesse decidido morrer assim.

Nas noites mais frias eu vou te procurar até o dia em que eu não te encontrar.

E quando eu não mais te encontrar, talvez eu veja uma lágrima tocar o chão, mas com a certeza de que a dor é minha e não no teu coração.

Eu (am)ando (e) vivendo

No alto do meu ruralismo sentimental, me disponho e proponho um final feliz.

Mas sei o quão banal seria tentar ser algo que eu nunca quis.

 

Vai, some daqui. Finge que nunca me encontrou.

Eu ando vivendo por aqui, coisa que tu nunca me deixou.

 

Agora é minha vez de destruir uns corações por aí, como sempre consegui.

Hábito mórbido que no nosso tão finito sorriso eu esqueci.

 

Como vou esquecer (de ti).

Vai lá

Vai, põe tua roupa mais bonita. Bota aquele short jeans e o top branco de renda. Tu fica linda neles.

 

Coloca aquela maquiagem que te deixa maravilhosa. Aquela que todo mundo diz que tu tá linda quando te vê, sabe?

 

Te perfuma. Deixa tua vida tão cheirosa quanto teu pescoço que, quanto mais cheiroso, mais dá vontade de beijar.

 

Sai, encontra tuas amigas, dá risada com elas, fala mal de mim. Sim, fala, tu precisa fazer isso. Eu mereço ser vilipendiado, ainda mais agora.

 

Fala que hoje a noite é tua e que tu vai expurgar teus demônios, beijar todas as bocas que quiser e não lembrar de nada, de ninguém – de mim.

 

Ouve cada música dentro da tua alma e dança. Rebola e vai até o chão, mostrando a tua sensualidade pra quem te obtiver no campo de visão, pra mostrar que tu tem poder e que sabe usá-lo, como sempre soube.

 

Bebe todas, sai de ti e esquece quem tu é. Trata de lembrar disso só no outro dia, hoje não precisa.

 

E no outro dia, quando lembrar, trata de esquecer. Faz o que precisar pra esquecer que um dia tu foi algo diferente dessa definição de felicidade que tu foi na noite anterior. Esquece cada cor que elucidou nosso imenso (a)mar e vive essa simplória felicidade.

 

Depois conta pra mim como é viver assim: sem lembrar.

Acorde(i)

Meu cabelo voa com o vento da janela

E com o vento vão minhas certezas

Fica só a bagunça do cabelo – e da vida!
Tudo mudou e ta tudo tão igual

E não dá pra entender nada

Mesmo eu tendo me tornado esse ser tão racional 
E eu só quero que dessa vez você fique aqui

Com a certeza de que nunca foi embora – de dentro de mim.

Sem rota, sem rumo, sem amor.

Pra onde foram aqueles que prometeram não me abandonar?

Aonde foram parar os ombros que tanto iriam me consolar?

Estou cercado por nada, faço parte do nada – sou nada.

Ninguém faz questão.

Eles nem sequer lembrarão (quando eu desaparecer de vez).

E eu já desapareci. Reações? Não vi. Nem por lá nem por aqui.

Estou sozinho, estou só, estou.

Não existe caminho, não existe estrada.

Eu sinto falta de tudo, mesmo não querendo ter mais nada.